Cirurgia Neonatal

A cirurgia neonatal é voltada aos bebês nos primeiros dias ou semanas de vida.


Trata-se de um cuidado altamente especializado, realizado em ambiente hospitalar adequado, com técnicas delicadas e seguras.


Cada procedimento é planejado para respeitar a fragilidade do recém-nascido e tranquilizar os pais com informações claras e acompanhamento próximo.

Alterações do Cordão Umbilical

Hérnia Inguinal no Recém-Nascido

Cirurgia Minimamente Invasiva Neonatal

Tratamento de granulomas ou outras alterações comuns na cicatrização do umbigo, com procedimentos rápidos e delicados, que devolvem tranquilidade aos pais.

Correção rápida e segura para evitar complicações, como o encarceramento da hérnia.


O procedimento é realizado com equipe experiente, visando uma recuperação estável e sem desconfortos desnecessários.

Utilização de técnicas por vídeo que reduzem cortes e favorecem a recuperação rápida e segura.


Ideal para recém-nascidos, minimiza riscos e o tempo de internação.

Atresia de Esôfago

O que é?

A atresia de esôfago é uma malformação congênita em que o esôfago — o tubo que conduz o alimento da boca ao estômago — não se forma de maneira contínua. Em muitos casos, pode estar associada a fístula traqueoesofágica, ou seja, uma comunicação anormal entre o esôfago e a traqueia. Essa combinação impede a passagem normal dos alimentos e pode causar engasgos e dificuldade respiratória logo após o nascimento.


A condição ocorre em aproximadamente 1 a cada 3.000–4.500 nascidos vivos, e pode se apresentar em diferentes formatos anatômicos.


Além do defeito esofágico, é frequente que o recém-nascido apresente outras malformações associadas — cardíacas, vertebrais, renais ou anorretais — o que torna o manejo ainda mais desafiador.

Complexidade e necessidade de cuidado especializado

A atresia de esôfago é uma das cirurgias neonatais mais complexas da cirurgia pediátrica. O tratamento deve ser individualizado, levando em conta o tipo anatômico da atresia, a distância entre os segmentos esofágicos (gap), comorbidades associadas e as condições clínicas do bebê.


Por envolver estruturas vitais do tórax (traqueia, aorta, nervo vago, pulmões) e demandar anastomoses delicadas em tecidos extremamente frágeis, a cirurgia requer equipe altamente treinada, com experiência específica em técnicas minimamente invasivas neonatais e suporte multidisciplinar — incluindo neonatologia, anestesia pediátrica, pneumologia e gastroenterologia.

Cirurgia toracoscópica — a via moderna e menos invasiva

Nas últimas duas décadas, o reparo da atresia de esôfago evoluiu significativamente com a introdução da toracoscopia, técnica minimamente invasiva realizada através de pequenas incisões e uso de microcâmeras de alta definição.


Os principais benefícios são:

• Menor trauma cirúrgico e melhor resultado estético;

• Menor dor pós-operatória e tempo de recuperação reduzido;

• Preservação da estrutura da parede torácica (evitando escoliose e deformidades costais) frequentemente relacionadas a cirurgia convencional.

• Visão cirúrgica ampliada e mais anatômica, permitindo dissecação precisa da fístula e anastomose delicada;


Em mãos experientes, o reparo toracoscópico é seguro mesmo em recém-nascidos de baixo peso.


Ainda assim, trata-se de uma cirurgia de altíssima complexidade técnica: requer equipe familiarizada com instrumentação neonatal, anestesia pediátrico experiente. Por isso, os melhores resultados estão diretamente ligados à experiência do centro e a equipes multidisciplinares.

Traqueomalácia — uma condição frequentemente associada

Entre os desafios do seguimento desses pacientes está a traqueomalácia, alteração em que a traqueia apresenta fraqueza estrutural e tende a colapsar durante a expiração.


Estudos demonstram que **até 70–80 % dos pacientes com atresia de esôfago** apresentam algum grau de traqueomalácia ou traqueobroncomalácia. Essa associação decorre do desenvolvimento anômalo conjunto da traqueia e do esôfago durante a vida fetal.


Os sintomas podem variar de leves a graves, incluindo:

• Tosse crônica e ruído respiratório persistente (muitas vezes confundido com asma);

• Episódios de cianose (“ficar roxinho”) ao chorar ou alimentar-se;

• Infecções pulmonares de repetição;

• Dificuldade para ganhar peso devido à limitação respiratória.

• Estridor respiratório


A traqueomalácia é frequentemente subdiagnosticada e mal compreendida, sendo fundamental que o caso seja discutido por profissionais familiarizados com o tema e integrados a uma equipe respiratória e cirúrgica pediátrica.


É importante ressaltar que os sintomas de traqueomalacia podem não ser observados no período neonatal, por isso a importância de esses pacientes manterem um acompanhamento de longo prazo com cirurgião pediátrico

Tratamento em equipe multidisciplinar

O sucesso no tratamento da atresia de esôfago e suas complicações depende de integração contínua entre diferentes especialidades.


A criança deve ser acompanhada por:

• Cirurgião pediátrico especializado, com experiência em cirurgia minimamente invasiva e via aérea;

• Pneumologista pediátrico, responsável pelo manejo clínico da traqueomalácia e monitoramento respiratório;

• Gastroenterologista pediátrico, para controle de refluxo, dismotilidade e nutrição enteral;

• Neonatologista, anestesista e intensivista pediátricos, garantindo suporte seguro no pré, peri e pós-operatório

Anquiloglossia (freio de língua)

A anquiloglossia é uma alteração em que o freio da língua é curto, limitando seus movimentos. Essa limitação pode dificultar a amamentação, a fala e outras funções da boca.


Nem todos os casos precisam de cirurgia — muitos bebês se adaptam bem com o tempo ou com apoio de profissionais especializados. A indicação cirúrgica é feita apenas quando há repercussão funcional clara, como dificuldade importante de sucção, fala ou deglutição.


O procedimento deve ser realizado por profissional experiente, em ambiente seguro e preparado, garantindo conforto e segurança à criança.


O sucesso do tratamento depende do trabalho conjunto entre cirurgião pediátrico, fonoaudiólogo, pediatra e equipe de apoio. Essa integração garante uma avaliação precisa, evita cirurgias desnecessárias e potencializa o resultado funcional.

A visão da Dra. Caroline

A Dra. Caroline Gargioni Barreto é cirurgiã pediátrica, com especialização em cirurgia torácica e via aérea pediátrica, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica, e autora de artigo científico sobre o tratamento cirúrgico da traqueobroncomalácia grave, publicado em periódico internacional de destaque (Journal of Pediatrics).


Atua em São Paulo integrando equipes multidisciplinares em hospitais de referência, oferecendo cuidado preciso e atualizado para crianças com malformações do esôfago e da via aérea.



“A traqueomalácia é uma condição que exige olhar atento, experiência e integração entre especialistas. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado transformam o prognóstico dessas crianças.”



Seu filho recebeu diagnóstico pré-natal de atresia de esôfago, ou já passou por essa cirurgia e apresenta algum dos sintomas descritos acima?


Cada caso é único e merece uma avaliação individualizada.

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